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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Artistas Viajantes

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Histórico

Artistas viajantes são aqueles cuja produção encontra-se inexoravelmente ligada ao ato de viajar; os desenhos e pinturas que realizam, de franca vocação documental, acompanham deslocamentos no espaço, descobertas de paisagens e tipos humanos. De modo geral, esses artistas integram expedições artistícas e científicas que, nas Américas, desde sua descoberta, no século XVI, atravessam os territórios recém-conquistados, com a finalidade de registrar a flora, a fauna e seu povos. No caso do Brasil, vastas literatura e iconografia são produzidas desde a chegada dos portugueses no século XVI até o século XIX: os relatos e registros pictóricos descrevem as novas paisagens projetando imagens variadas da terra e do homem. Espécimes naturais desconhecidos, animais estranhos e homens "primitivos" (às vezes "bons selvagens", outras, "selvagens-canibais") compõem o imaginário europeu acerca do Novo Mundo, descrito ora como "inferno", ora como "paraíso terreal". A riqueza da produção dos artistas viajantes - seja pelo seu valor artístico, seja por conta de seus pontos de vista e suas descrições acerca das novas terras e gentes - desperta a atenção de analistas de diversas áreas: geógrafos, antropólogos, historiadores da arte e da cultura.

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Muitos são os artistas viajantes que passam pelo Brasil desde o período colonial; cabe destacar os mais importantes em relação às obras produzidas. O governo de Maurício de Nassau (1604 - 1679) em Pernambuco, de 1636 a 1645, é responsável por fontes iconográficas fundamentais a respeito do Brasil holandês. Entre os artistas que documentam o país nesse contexto encontram-se os holandeses Albert Eckhout (ca.1610 - ca.1666) e Frans Post (1612 - 1680), contratados para integrar a comitiva de Nassau. A pintura desses artistas, dizem os estudiosos, inaugura novos parâmetros de visualidade, menos comprometida com preocupações morais e religiosas, e mais afeita à observação naturalista do mundo, de acordo com os preceitos das escolas flamenga e holandesa. Paisagens são preferencialmente realizadas por Post, entre 1637 a 1644. De sua vasta obra documental é possível lembrar Engenho de Açúcar, s.d., Vista da Ilha de Itamaracá, 1637, e Mocambos, 1659. Eckhout trabalha com telas de grandes dimensões, além de fazer desenhos e esboços. Fauna, flora e tipos humanos são por ele registrados em: Homem Mestiço, s.d., Dança dos Tarairiu [Tapuias], s.d., Índia Tupi, 1641, Abacaxi, Melancia e Outras Frutas, s.d., entre outros. Ainda no período colonial, vale mencionar a "Viagem Filosófica", chefiada por Alexandre Rodrigues Ferreira (1756 - 1815), responsável por uma série de expedições ao interior do país, com fins botânicos, zoológicos, mineralógicos e etnográficos. Dessa expedição resultam desenhos e aquarelas de autoria de Joaquim José Codina (17-- - 1790) e José Joaquim Freire (17-- - ca.1814). (...)


http://itaucultural.org.br

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A Missão Artística Francesa

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A Missão chegou ao Brasil imbuída de altos propósitos, como diz Debret:

"Animados todos por um zelo idêntico e com o entusiasmo dos sábios viajantes que já não temem mais, hoje em dia, enfrentar os azares de uma longa e ainda, muita vezes, perigosa navegação, deixamos a França, nossa pátria comum, para ir estudar uma natureza inédita e imprimir, nesse mundo novo, as marcas profundas e úteis, espero-o, da presença de artistas franceses"[7]

Mas a realidade contradisse suas expectativas. Embora com o apoio real, a missão encontrou resistência entre os artistas nativos, ainda seguidores do Barroco, e ameaçavam a posição de mestres portugueses já estabelecidos. A verdade é que os franceses foram recebidos como importunos tanto por portugueses quanto por brasileiros. A rainha D. Maria I faleceu em 1816, e o projeto de modernização da capital avançava lentamente. O governo central tinha muitas outras procupações a atender, como o acompanhamento da instável situação na Europa, as constantes demandas administrativas internas e os conflitos de fronteira no sul na Questão Cisplatina, subtraindo recursos e atenção do projeto cultural francês. O principal incentivador do projeto, o Conde da Barca, faleceu no ano seguinte, o contrato dos artistas foi posto em discussão e o cônsul francês no Brasil não via com bons olhos a presença de bonapartistas [8].

Enquanto a Escola não era instalada definitivamente, ficando à mercê das oscilações políticas e sofrendo modficações no projeto original, sucumbindo, como lamentava Debret, aos "aos erros e vícios do ancien régime" [9], os artistas sobreviviam da pensão que lhes concedera o governo, e ocupavam-se aceitando encomendas, ao lado das aulas que conseguiam ministrar nas precárias condições em que se achou o projeto nos primeiros anos. Lebreton faleceu em 1819, e como seu sucessor foi nomeado o português, professor de Desenho, Henrique José da Silva, artista conservador, ferrenho crítico dos franceses, no que se descreve como golpe mortal dado às Belas Artes no Brasil. O seu primeiro gesto foi liberar os franceses de suas obrigações como professores. Tantas foram as dificuldades que Nicolas-Antoine Taunay abandonou o país em 1821 (ano da morte de Napoleão), substituído por seu filho, Félix Taunay. Pouco depois o Taunay escultor também faleceria, desfalcando ainda mais o grupo primitivo, do qual foram efetivamente aproveitados pelo governo apenas cinco integrantes: Debret, Nicolas Taunay, Auguste Taunay, Montigny e Ovide

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Wikipedia

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Artistas viajantes

Cresce o trânsito de artistas brasileiros e estrangeiros em programas de residências

O artista viajante foi o antecessor do documentarista. Por séculos, transitou a Terra Brasilis, registrando em desenhos e pinturas as pessoas, os animais, as plantas. A prática arrefeceu no final do século 19 com o advento do cinema e das novas mídias, mas hoje ganha novo fôlego com as residências artísticas. Como nas Missões Artísticas do passado, os programas de residências querem ampliar horizontes. Em um mundo atravessado por meios de comunicação, deslocamentos e migrações, o artista residente é convidado a desenvolver projetos a partir de vivências em novos territórios e a refletir sobre a cultura globalizada que nos envolve.

Fonte

dezembro 11, 2008

Novas rotas para artistas viajantes, por Paula Alzugaray, Revista Isto É

Novas rotas para artistas viajantes

Matéria de Paula Alzugaray, originalmente publicada na Revista Isto É edição 2039, no dia 26 de novembro de 2008

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Missão Artística Francesa



O novo lar de D. João
A história da Missão Artística Francesa começou quando D. João, fugindo dos conflitos entre a França de Napoleão e a Inglaterra, decidiu transferir sua corte para o Brasil em 1808. Com a família real, veio uma comitiva de 15 mil pessoas. Disposto a valorizar o Rio de Janeiro, capital do Reino Unido, o regente português logo fundou as primeiras fábricas e instituições – o Banco do Brasil, a Biblioteca Real e a Imprensa Régia – e incentivou o gosto pela arte, tal como se fazia em Portugal e no resto da Europa. Na arquitetura, essa tendência manifestou-se de imediato na construção de novos prédios de estilo neoclássico. Porém, a influência da cultura européia sobre o Brasil só ficou realmente marcada com a vinda da Missão Francesa.

Você sabia?
A aquarela foi um dos meios mais utilizados pelos botânicos e cientistas que participaram das expedições de desbravamento do Novo Mundo a partir do século XVIII. Eles retratavam as espécies animais e vegetais desconhecidas com tinta e água e, depois, essas imagens eram gravadas em pranchas de pedra usadas para ilustrar livros.
Paris dos Trópicos
Para dar ares de civilização à cidade onde ia viver com a corte real, D. João queria uma escola em que se ensinassem pintura e arquitetura, entre outras disciplinas. Incumbiu o conde da Barca – Antonio de Araújo de Azevedo, um apaixonado pela produção intelectual na França – e o marquês de Marialva, embaixador de Portugal em Paris, de selecionar e contratar os artistas que integrariam a Missão. Eles não tiveram problemas para reunir um time de primeira disposto a trocar a cidade de Paris pelo Rio de Janeiro. Faziam parte da

O clima imperial nos Trópicos, segundo Jean-Baptiste Debret.
Missão, entre outros, os pintores Joachin Lebreton e Nicolas-Antoine Taunay e o arquiteto Grandjean de Montigny.

Ao todo, eram 46 pessoas, entre familiares e criados. Esses artistas tinham por tarefa instituir o ensino oficial das belas-artes no Rio – gravura, pintura, escultura e arquitetura –, mas foram hostilizados pelos artistas luso-brasileiros, o que retardou a fundação da Imperial Academia e Escola de Belas-Artes. Depois da chegada dos artistas da Missão, o Rio foi alçado a uma espécie de 'Paris dos Trópicos' e deixou de ser apenas a capital de uma distante colônia para se tornar efetivamente a sede do governo.


http://www.klickeducacao.com.br/2006/conteudo/pagina/0,6313,POR-694-7662-,00.html

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